Preta, pretinha…

“Menina pretinha, exótica não, é linda. Você não é bonitinha. Você é uma rainha…” A poesia que chega em forma de canção da paulista MC Soffia fala sobre grandes abismos sociais, como preconceitos, machismo e racismo, além de incentivar cada garota a ser exatamente o que quiser.

Todo esse empoderamento social, que tem Soffia e outros nomes no topo do pedido por liberdade, seria um alento para as décadas de sofrimento e falta de representatividade?

Mc Soffia, cantora hip-hop de 15 anos.

Desconstrução Social

O caminho rumo à desconstrução de PRÉ-conceitos sociais ainda é grande, mas pensar em rostos que têm usado a voz como um grito alto que, por vezes, foi silenciado por um racismo estrutural surge como uma realidade para os difíceis tempos atuais.

Dentro desse contexto, vamos falar do embrião inicial de uma problemática que se começa cedo, ainda em tempos da primeira infância. Qual a real representatividade de uma menina negra e como ela se enxerga no meio social em que está inserida?

O reflexo da mulher negra

Começaremos selecionando as principais princesas da gigante Disney e o sonho de meninas reais de se verem como Elsa, Aurora, Bela. Como explicar para uma menina negra que a cor da pele dela e o cabelo não são retratados na TV? Ou como a fazer entender o fato de (quase nunca) ela não ser a protagonista de grandes filmes? Tarefa dolorosa, né? Contudo, há esperança.

Alento de uma gigante

Recentemente, a mesma Disney que sempre colecionou entre as principais princesas do reinado personagens com estrutura branca e padrão anunciou que a rainha dos mares, Ariel, será vivida por uma atriz negra na telona. SIM! A internet caiu com a notícia, meninas/mulheres se emocionaram e o alento, mais uma vez chegou. Ele é real.

A atriz e cantora Halle Bailey foi escolhida para interpretar a princesa Ariel, nos cinemas. O filme será rodado em 2020.

Força, mulher negra!

Esperança, meus caros. É assim que muitas mulheres negras, crespas, cacheadas viram a ação, que pode mostrar para a pequenina que a cor da sua pele e o seu cabelo pode ser visto numa grande produção de cinema.

Isso é representatividade. Pouca coisa? Atitude midiática? Talvez, para uma parcela privilegiada da população essas definições rasas até podem ser usadas. Entretanto, para aquelas mulheres que nunca se viram na TV, nas capas de revistas e que tinham uma beleza nomeada como exótica se enxergar representa muita coisa.

Por isso, entender que há beleza nos cachos, que o fato deles crescerem para cima é uma analogia à coroa que um povo negro sempre mereceu – seja pela força ou, simplesmente, pelo sorriso iluminado no rosto é uma conquista.

Sabe, menina negra, você é linda. Você não é bonitinha e muito menos exótica. Você é linda, seus cabelos são lindos e caminhar com você e com o seu povo por todo esse encontro é uma experiência maravilhosa.

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